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As bases do advocacy: a Impact+ no encontro anual do Social Leapfrog da Nova SBE

21 de set.
3 min de leitura

Em junho conduzimos o workshop “As Bases do Advocacy” no encontro anual do Social Leapfrog, o programa de capacitação da Nova SBE para organizações sociais híbridas. Ficam aqui o que levámos, o que ouvimos e o que retirámos.


Foto de grupo após formação na NovaSBE

O que é o Social Leapfrog


O Social Leapfrog é um programa de reflexão e capacitação da Nova SBE, coordenado pelo Leadership for Impact Knowledge Center e integrado na Iniciativa para a Equidade Social — uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE.


Ao longo de três anos, o programa acompanha organizações sociais híbridas: organizações com missão social clara que, simultaneamente, geram receitas próprias através da venda de produtos e serviços. O acompanhamento inclui diagnóstico, plano de ação personalizado, workshops, projetos de consultoria com alunos, mentoria e acesso a formação executiva. Desde 2019, o programa apoiou 42 organizações sociais e envolveu mais de 2.600 pessoas.


O encontro anual reúne as organizações das edições em curso. Foi nesse encontro, em junho de 2026, que conduzimos o workshop sobre os fundamentos do advocacy.


Porque é que um programa de sustentabilidade financeira precisa de advocacy


Esta é a pergunta que vale a pena fazer, e a resposta explica porque fomos convidados.

A sustentabilidade de uma organização social não depende apenas do seu modelo de receitas. Depende também de um conjunto de decisões que a organização não controla: enquadramento fiscal, regras de contratação pública, critérios dos acordos de cooperação, requisitos de licenciamento, desenho dos avisos de financiamento, tabelas de comparticipação. Uma organização pode ter um modelo de negócio sólido e ver a sua viabilidade alterada por uma portaria que nem sequer acompanhou.


Visto assim, o advocacy deixa de ser uma atividade separada da gestão e passa a ser parte da gestão de risco. Uma organização híbrida que não tem qualquer leitura sobre quem decide as regras do seu setor está exposta de uma forma que raramente reconhece no seu plano estratégico.


O que levámos


O workshop foi desenhado a partir de um pressuposto simples: quase todas as organizações presentes já faziam alguma forma de intervenção pública. O objetivo não era introduzir um tema novo, era mostrar onde estava a lacuna.


Trabalhámos quatro blocos: o que é e o que não é advocacy; como se diagnostica um problema público de forma a torná-lo acionável; como se lê o poder à volta de uma decisão; e qual é a diferença prática entre visibilidade e influência.


Fizemos duas escolhas de método que se revelaram decisivas. A primeira foi trabalhar a partir de um caso real, com o testemunho da Associação Salvador, em vez de exemplos internacionais abstratos. A segunda foi alternar exposição e exercício, com devolução de feedback no momento — em vez de deixar a aplicação prática para depois do workshop, altura em que raramente acontece.


O que ouvimos


A avaliação foi recolhida por questionário pela equipa do Social Leapfrog e complementada com o feedback das organizações nas reuniões de balanço do semestre. Alguns comentários dos participantes:

“A organização da apresentação, a densidade da informação, os exercícios práticos que nos fizeram pensar, debater e questionar práticas atuais.”
“Adorei! Workshop muito prático, com feedback na hora, exemplo real do trabalho de uma Associação, formador com muito conhecimento e experiência.”
“O formador, o testemunho da Associação Salvador (muito pertinente) e as dinâmicas de grupo.”

O que retirámos


O padrão que encontrámos confirma aquilo que vemos noutros contextos, e vale a pena registá-lo porque é contraintuitivo.


As organizações não têm dificuldade em identificar o problema. Descrevem-no bem, com dados, com experiência de terreno e com legitimidade. A dificuldade aparece um passo depois: traduzir esse problema numa decisão concreta, tomada por alguém identificável, num prazo identificável, numa arena identificável.


É essa tradução que separa uma organização que comunica de uma organização que influencia. E é uma competência técnica, não uma questão de convicção ou de dimensão. Foi por isso que os exercícios práticos foram a parte mais referida na avaliação: é no momento em que se tenta escrever o objetivo político concreto que se percebe que ele ainda não existia.


Trabalhar com a tua equipa


Este workshop é uma versão condensada do trabalho que fazemos com equipas. Se a tua organização quer desenvolver capacidade de advocacy internamente, o Advocacy Lab é o nosso formato de treino de equipa, desenhado à medida do contexto e do momento de cada organização.


Se preferires uma formação individual, o Advocacy Strategist Certificate decorre de 12 de outubro a 14 de dezembro, à segunda-feira, em formato online.


Agradecemos à equipa do Social Leapfrog e do Nova SBE Leadership for Impact Knowledge Center pelo convite e pela organização, e às organizações participantes pela abertura com que trouxeram os seus casos reais para a sala.


 
 
 

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